Galeria de Schengen, “Aniversário do Tratado”, Schengen – Luxemburgo

Rico Sequeira red

A par da exposição «Hops! Tom & Rico», o Palácio da Galeria tem as portas abertas à criatividade e, por uma vez, pode riscar uma tela… ainda não assinada… que fará parte da historia da União Europeia.
É que, na sequência do aniversário de Tratado de Schengen, Rico Sequeira foi convidado expor em solo luxemburguês – país onde se encontra radicado há vários anos.
Assim, e fazendo jus ao espírito europeu de fronteiras abertas, o artista vai levar para o Luxemburgo uma obra iniciada em solo nacional, que depois será intervencionada por si. Mas pouco.
«A única coisa que vou fazer é colocar um verniz fixativo e fazer uma pequena intervenção para que se reconheça ser um quadro meu. Depois, será uma questão de interligação», rematou. – Filipe Antunes

Rico mostra o processo da cor na BD.red

“’Hops! Tom & Rico’: BD de Rico Sequeira” é a exposição que se encontra patente ao público no Palácio da Galeria, em Tavira, até ao dia 30 de Janeiro de 2010.
Trata-se de um projecto antigo de Rico Sequeira que aqui se materializou. Uma espécie de “bomba-informação” provinda de milhentos lugares. Referências que se misturam criando um universo de universos que se aglutinam através do génio criador do artista, unidade da multiplicidade que é o mundo, destacando um lado onírico quase vivo, acrescentado pelo apelo à participação na criação conjunta.
Esta exposição oferece inúmeros encontros de opostos: o desenho e a pintura; a BD e a arte; a palavra que se exprime através da escrita e da escultura, nas onomatopeias, onde o som se congela em forma, apelando a outro modo de olhar esteticamente; a mostra do que existe, do que é, como que “sagrado”, os valiosos originais que o artista se esforça por encontrar por esse mundo fora, “profanados” por uma nova criação que não anula a primeira, antes lhe acrescenta o fluir da vida e do mundo inesgotado e interminado. E no valor estético tudo se equipara, os originais de BD e as provas de impressão mal feita. O que interessa é a estrutura gráfica que estimula o artista a ir mais além na expressão de si próprio como elo harmonizador da multiplicidade.
Para além da vertente informativa (exposição de partes da sua colecção, e das obras de sua autoria apresentadas em diversos formatos), há um lufar de cor em gritaria, um ar de festa e infância à solta e uma proposta num painel: “Estes quadros são para ser pintados pelas pessoas que visitam a exposição. Podem desenhar, escrever”… explica Rico, “depois faço uma intervenção, passo verniz e estes quadros vão constar, no próximo ano, na exposição de Schengen”, no Luxemburgo. E, os traços de quem por aqui passa, misturam-se com o traço do fluir da história, para além-fronteiras, compondo já, as próximas obras de Rico Sequeira. – Paula Ferro