Inaugurou na Galeria SETE (Coimbra)  a exposição “O desenho pensa, o pensamento desenha” de Rico Sequeira no dia 14 de Setembro, e estará patente até ao dia 17 de Outubro de 2019.

“ Eu não sou o que procuro. Eu sou o que encontro.” – Pablo Picasso

Rico Sequeira, homem de múltiplos lugares onde gosta de pertencer e de múltiplas actividades que gosta de fazer, vive sobretudo a desenhar e a pintar há mais de 40 anos. E gosta de o fazer por motu próprio ou por intermediação de imagens, de muitas imagens.

O recortar e o colar de imagens pré-existentes (frequentemente vindas do universo dos “comics”) dão lugar a uma nova imagem, a um novo desenho, aparecido com o correr do gesto comandado quase inconscientemente.

Como percebeu Bernardo Pinto de Almeida num texto que lhe dedicou em 2001, “O caos e o silêncio”, o autor gosta de ordenar essas imagens “sujeitando-as a um processo quase automatista”, ou seja, ele deixa-se ser aquele que faz o que faz naquele momento, a saber: organizar ali e agora o mundo e, por um ínfimo instante, descansar, contemplar a sua obra e ouvir o silêncio.

E a pintura? – é inseparável deste desenhar de Rico Sequeira e um processo de ligar, de esconder, de acrescentar, de rematar que está sempre presente desde o primeiro traço, desde a primeira escolha no recorte e na colagem; ele desenha como um pintor, ele usa a pintura como mais um grau de liberdade que – apesar da demora no fazer – é ainda parte do automatismo para obter a imagem silenciosa, resolvida.

E, quando ainda lá há esqueleto, inquietação, ruído, então pinta, tapa, obriga, não aceita, luta … acalma-se e, depois, volta tudo outra vez, incessantemente.

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